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Assembleia da República recebeu Mesa Redonda da PSOPortugal «Psoríase: Qualidade de vida dos doentes vs. Sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde»
A Psoríase afecta 250 mil portugueses e apesar de ser uma doença para a vida não é reconhecida como doença crónica pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). As consequências para os doentes podem ser dramáticas.
Durante a mesa redonda que decorreu no passado dia 29 de Abril de 2009, na Assembleia da República, o Presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, Manuel Marques Gomes referiu que “a Psoríase é uma doença com muitos graus e se os doentes forem tratados pode-se, na grande maioria dos casos, controlar a doença”, só que, actualmente, relata o professor Marques Gomes, “muitos dermatologistas estão a ser confrontados com doentes que afirmam não ter capacidade financeira para cumprir os tratamentos, o que provoca um agravamento da doença e faz com que a solução passe pelos medicamentos biológicos, caríssimos para o Estado”. Os medicamentos biológicos são comparticipados a 100% pelo Estado e no caso da psoríase custam, em média, 1.500,00€ por mês, com a necessidade de 9 meses de tratamento por ano. Os medicamentos tópicos, os mais usados no tratamento da psoríase, custam, em média 3.000,00€ por ano. Uma diferença que, a longo prazo, penaliza o Estado, que vai acabar por pagar mais medicamentos biológicos porque os doentes não tiveram acesso prévio a outro tipo de tratamento. Para o economista Pedro Pita Barros, outro dos intervenientes, “deveria existir um registo nacional de doentes que permitisse seguir a evolução da doença e garantir que as comparticipações chegam a quem realmente precisa sem abusos”. O economista, à semelhança de outros intervenientes da mesa redonda considera que “não deve haver medicamentos a custo zero”, mas reconhece que muitos doentes com psoríase e outras doenças não reconhecidas como crónicas podem ter o acesso ao tratamento vedado por questões financeiras. Catarina Severiano, psicóloga, destacou, durante a mesa redonda a vulnerabilidade dos doentes com psoríase, sublinhando que “faz parte da natureza humana acreditar e todos os que sofrem de doença crónica sonham com a cura”. No caso da Psoríase, Catarina Severiano lembrou que “a exposição física dos doentes e a falta de capacidade financeira para o tratamento são barreiras que os doentes enfrentam diariamente”. A psicóloga defende equipas médicas multidisciplinares para tratar os doentes de psoríase. Catarina Severiano defendeu ainda que a envolvente familiar e social também é muito importante, no caso da psoríase, porque é uma doença que pode inibir contactos. João Cunha, presidente da PSOPortugal, considera que “se a Psoríase fosse reconhecida como doença crónica, os medicamentos tópicos seriam comparticipados na totalidade, garantindo o acesso ao tratamento a todos os doentes. A despesa inicial do Estado aumentaria, mas a longo prazo haveria ganhos. Muitos são os doentes que agravam substancialmente a sua condição física e psicológica por não terem como aceder aos tratamentos. Há pessoas que não se tratam e que acabam por custar muito mais ao Estado. É para colmatar estas lacunas que continuamos a procurar forma de mitigar os efeitos desta doença que não mata nem é contagiosa, mas é para toda vida.” A Psoríase é uma doença crónica, incurável e não contagiosa que afecta 250.000 pessoas em Portugal e 190 milhões em todo o Mundo. Fundada em 2005 com o objectivo de promover e dinamizar campanhas para alertar, despertar e sensibilizar a sociedade para a discriminação social e profissional de que são alvo os doentes de psoríase, a PSOPortugal tem vindo a lutar pelos portugueses que sofrem diariamente com esta doença da pele. Ao longo dos anos foram desenvolvidas iniciativas de índole social e cultural com o intuito de esclarecer e sensibilizar a opinião pública para as características da doença e desenvolvidos esforços no sentido de o Serviço Nacional de Saúde reconhecer a psoríase como doença crónica. |